quinta-feira, 19 de setembro de 2013

ELEGIA DA AMIZADE – “Tudo o que resta é Literatura”

Um da tive uma amiga que me disse, estávamos a atravessar a ponte, que todas as amizades são interesseiras.

Se considerarmos o Amor como uma grande árvore de muitos ramos, aí, inclinada para o Sol, encontramos a Amizade.

Como todos os seres vivos, esta árvore precisa da seiva que dá força aos seus braços. Esse alimento, que lhe vem das raízes, por vezes escasseia, devido à seca. È nesses períodos que um ramo esmorece.
Misteriosamente, esta velha árvore a que vamos dar o nome de Bela, sempre que morre um dos seus filhos faz brotar um outro, desigual na sua essência.
Quando lhe morreu a mãe, ainda não há muito tempo, nasceu-lhe um braço. Mas esse braço era estranho. Não se assemelhava aos demais. Com dor, reteve todos os instantes em que esse braço lhe rasgou a casca.
Bela já não era bela, mas continuava a ser uma árvore da qual tudo podia brotar.
A paixão era o ramo do sangue a correr-lhe quente nas veias.
A emoção, essa era um ramo em extinção.
A amizade, a mais bela e doce palavra do Amor, era um fino ramo a empalidecer…
Como devem calcular, neste ponto a árvore apresentava-se com um aspecto um tanto enigmático. Despida de ramagem, com o tronco rachado em várias partes distintas, os braços que ainda sobreviviam estendiam-se tortos, à míngua de uma gota de água.
No entanto, enquanto aqueles ao Sol definhavam, as raízes continuavam a rasgar de forma animal, a terra de que se alimentavam, ainda que esta já não contivesse água mas sangue.

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Lilith – Sexta-Feira – 20 de Setembro de 2013 – 0:29



Tudo o que sei fazer é escrever.
Tudo o que sei fazer é escrever.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

MÍNIMO CONTO ERÓTICO

MÍNIMO CONTO ERÓTICO
A duas portas de distância do Bar da Esquina Gabriela deixava-se tocar.
Encostando-a ao portão, ele enfiava-lhe a mão pela braguilha das calças, afastava-lhe as cuecas para o lado e ela… sentindo a súbita fissão das partes, estremecia.
Enquanto a atormentava com dedos que mais pareciam anões a desbravar território, ele mordiscava-lhe a orelha e o pescoço.
Num crescendo de luxúria e de tesão, ali, onde todos poderiam ver, Gabriela entregava-se às delícias extravagantes não de uma mas de duas mãos, que não paravam de remexer… E as cuecas numa guita, uma rédea em acção.
De repente agigantadas, ondas electromagnéticas percorriam todo o seu corpo. Torrentes não paravam de invadir-lhe o sangue, que fervia.
Com o coração a bater descompassadamente foi-se abaixo das pernas, mas ele interpôs o joelho sem parar de moê-la.
Já não sabia onde estava, se era gente ou macaca, isso pouco importava… O que sentia era energia pura, rebentando constantemente em vagas de puro mel, que ele colhia e com ela partilhava.
“Sim, já podes entrar em mim, cabrão; porque me deste prazer.”
Agora, para lá do portão que acabaram por saltar, Gabriela deixava que ele, encostado a uma Oliveira, a pegasse pelas nádegas montando-a no seu sexo ávido de um orgasmo.
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Lilith – 18 de Setembro de 2013 – 5:07